Entre Concreto e Desejo - Parte 1

O fim da tarde caía pesado, tingindo o céu de um laranja cansado. O calor da cidade ainda grudava na pele, misturado ao cheiro de cimento e suor que ele carregava do canteiro de obras. Mestre de obra de um hotel em construção, ele deixava o expediente como quem carrega o peso de um dia inteiro, mas ainda irradiava uma presença que chamava atenção — moreno claro, corpo marcado pelos anos e pela experiência, a barriga saliente que não escondia em nada sua virilidade, o semblante sério de quem comanda, e aquela camisa fechada sobre o peito largo, colada de leve pelo suor.Nos encontramos por acaso. Um olhar rápido, um cumprimento sem pretensão… mas havia algo ali. Algo que não se explicava com palavras, apenas se sentia. Como se o ar ficasse mais denso, como se o mundo inteiro tivesse diminuído de volume, deixando só aquele instante entre nós dois.Quando entramos no carro, o silêncio parecia falar mais alto que qualquer frase. O estofado guardava o cheiro de calor, mas logo foi tomado pela mistura do perfume discreto da sua pele com o aroma da rua. Ele ajeitou-se no banco, o braço firme roçando de leve, e só esse toque bastou para despertar uma corrente elétrica que atravessava o corpo inteiro.As conversas curtas deram espaço a pausas carregadas de intenção. O barulho distante da cidade desaparecia enquanto o ar dentro do carro se tornava cada vez mais carregado de desejo não dito. Um gesto simples — a forma como ele tirou o boné e passou a mão pelos cabelos molhados de suor — tinha um poder inesperado. Era bruto e, ao mesmo tempo, íntimo.Os minutos seguintes foram de pura tensão. O carro era um refúgio improvisado, cúmplice de um encontro que não cabia nas regras do cotidiano. A cada respiração mais próxima, a cada olhar que se prolongava mais do que devia, o espaço parecia estreitar. E então, quando já não havia mais como evitar, a entrega aconteceu: intensa, urgente, como se o mundo tivesse parado do lado de fora.Entre o vidro embaçado e a respiração ofegante, não havia pressa em acabar. Havia apenas o momento — cru, inesperado e absolutamente arrebatador.Quando tudo terminou, o silêncio voltou, mas já não era o mesmo. Havia nele uma cumplicidade secreta, uma lembrança gravada na pele e no cheiro que ficou no ar. Ele ajeitou a bermuda, fechou a camisa novamente, e antes de partir, lançou aquele olhar que dizia mais do que qualquer promessa: a gente sabe o que aconteceu aqui… e vai ficar guardado entre nós dois.


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